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O Rancho de Romeiros de Santo António rege-se pelo regulamento que abaixo indicamos, mas tem a sua estrutura interna definida da seguinte forma:

1. Um irmão Mestre
    Nuno Álvaro Arruda Vasconcelos
2. Um irmão Contra - Mestre
    José Manuel Martins Carvalho
3. Um irmão Ajudante de Mestre
    Artur Velho Carreiro
4. Um irmão Procurador das Almas
    João Coelho
5. Dois irmãos Pregadores das Almas
    Fernando Jorge Freitas
    Paulo Novo
6. Dois irmãos Guias
    José Carlos Branco
    António Revoredo Oliveira 
7. Dois irmãos Despenseiros (irmãos da loja)
    José Manuel Medeiros Chaves
    José Daniel Soares Silva
8. Todos os restantes irmãos que, embora sem funções pré determinadas podem, em qualquer altura, auxiliar os demais irmãos, ou, como é o caso do nosso rancho, fazer orações.

A nossa romaria tem sempre lugar na terceira semana da quaresma. O rancho "sai" no terceiro Sábado da quaresma e "entra" no Sábado seguinte, tendo, por tradição, as seguintes pernoitas:

1.º dia, Sábado - Ribeirinha
2.º dia, Domingo - Achadinha
3.º dia, Segunda - Vila do Nordeste
4.º dia, Terça - Lomba do Loução (Povoação)
5.º dia, Quarta - S. Pedro (Vila Franca do Campo)
6.º dia, Quinta - Livramento
7.º dia, Sexta - Candelária

O também tradicional dia das famílias, tem lugar na Quarta-feira, habitualmente nas Furnas, embora nos últimos anos tenha sido na Ponta Garça, mais propriamente no Salão Polivalente em frente à Igreja paroquial.

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REGULAMENTO DOS ROMEIROS DA ILHA DE

SAO MIGUEL-AÇORES


CAP. 1

NATUREZA E FINS DOS ROMEIROS

Art.º 1 - Denominam-se Romeiros da Ilha de São Miguel os grupos de católicos, que durante uma das semanas da quaresma, se propõem visitar todas as igrejas e ermidas onde se venera a imagem de Maria, cantando e rezando durante Lodo o percurso, lambem esta prática se chama Visita às casas de Nossa Senhora, pratica motivada, como è da tradição, nas calamidades públicas causadas pelos terramotos e erupções vulcânicas ocorridas em 22 de Outubro de 1522 e 25 de Junho de 1563, que arrasaram Vila Franca do Campo e Prejudicaram gravemente a Ribeira Grande. Nesses momentos de aflição os micaelenses, para implorarem a misericórdia divina, fizeram preces públicas ao Céu por intermédia de Maria e sentiram tão viva a protecção do Alto, que jamais, desde então até ao presente, deixaram esta piedosa pratica, conservando-a na sua característica primitiva.

Art.º 2 - Os fins das romarias são:
a) fazer penitência pelos pecados próprios alheios;
b) suplicar as bênçãos de Deus para as Terras dos Açores, para Portugal inteiro e todo o mundo.

CAP. II

CONDIÇOES DO ROMEIRO

Art.º 3 - Somente poderá ser admitido a esta espécie de penitência:
a) 0 homem com o uso da razão, com capacidade e condições morais para participar na Eucaristia e demais Sacramentos e que habitualmente cumpre os mandamentos da Lei de Deus e da Santa Igreja;
b) 0 homem dotado de espírito de obediência, para cumprir com exactidão as ordens que lhe forem impostas, e com saúde para suportar de bom ânimo os rigores da penitência.

Art.º 4 - Estas qualidades serão apreciadas pelo Mestre dos Romeiros e, no caso de dúvida ou desinteligência decidirá o Pároco a sua admissão.
· &único. - Tratando-se de romeiro que, por motivo de força maior, preterida incorporar-se num rancho que não seja o da sua freguesia, ou venha do estrangeiro com essa finalidade, deverá apresentar uma credencial passada pelo seu Pároco a comprovar as qualidades referidas no número anterior.

CAP. III

ORGANIZADORES DOS ROMEIROS

Art.º 5 - Nunca se poderão organizar ranchos de romeiros sem a aprovação do respectivo Pároco.
· § único - Todos os ranchos de romeiros terão um Mestre, um contramestre, um ou mais Ajudantes, um Procurador das Almas, um Lembrador das Almas e dois Guias.

Art.º 6 - O Mestre de Romeiros será escolhido pelo Pároco ou pela maior parte da população da respectiva freguesia.
a) O escolhido deverá ser um cristão piedoso, em tudo modelar, com qualidades de chefe para ser obedecido por todos, conhecedor das verdades da Fé bem como das normas deste Regulamento.
b) Desde que escolhido pela população, deverá apresentar-se ao Pároco para dele receber a aprovação e benção.

Art.º 7 - Compete ao Mestre:
a) Superintender em tudo o que conduz ao bom êxito da santa romaria, designadamente quanto a uma atenta admissão e cuidada preparação de todos os romeiros.
b) Providenciar para que se observem todas as praxes seguidas desde o início e evitar que se introduzem modificações ou abusos.
c) Tomar as providências necessárias para que seja celebrada missa ao longo do itinerário, de modo que o rancho possa participar na mesma todos os dias.
d) Fazer diariamente, sempre que possível uma leitura e meditação bíblica, previamente escolhida e preparada.
e) Vigiar pela saúde dos romeiros, mandando-os cuidar no posto de socorros mais próximo, ou tratando-se de doença grave, conseguir meio de transporte e acompanhá-los as suas casas.
f) Impedir que romeiros se utilizem de àquas inquinadas ou em quantidade excessivas.
g) Regular a marcha, de modo a não terem de caminhar de noite, o que e muito penoso.
h) Usar de justiça e caridade para com todos os irmãos, de forma que o respeitem e o amem como um verdadeiro pai, conservando assim a paz e a harmonia entre aquelas almas que voluntariamente se confiaram à sua direcção e amparo.

Art.º 8 - O contramestre é o romeiro designado pelo Mestre, a quem compete:
a) Desempenhar as funções do Mestre na ausência forçada deste.
b) Auxiliar á Mestre na admissão e preparação dos romeiros.
c) Cooperar com o Mestre na disciplina do rancho.

Art.º 9 - Os Ajudantes são os romeiros escolhidos pelo Mestre para o auxiliarem, designadamente:
a) A fazer as orações nas igrejas e ermidas quando o Mestre o determina.
b) A acompanhar algum romeiro doente ou que necessite de amparo moral ou físico, quando para tal for indicado;
c) A Coordenar as refeições, servir de despenseiros e cooperar com o Mestre em casos imprevistos.

Art.º 10 - O Procurador das Almas o romeiro designado pelo Mestre a quem compete receber o pedidos das orações dos povos por onde passa o rancho e enumera-los pelas contas do Terço; quando os pedidos somarem um Terço, toma nota para serem registados, após a romaria, num livro próprio, e num lugar escampado, indica ao Mestre o número de terços e orações especiais pedidas a fim de este as mandar rezar.

Art.º 11 - O Lembrador das Almas o romeiro indicado pelo Mestre e que a meio do rancho e na pausa do canto da ave-maria entre "0 SENHOR E CONVOSCO" e "SOIS VOS" levanta a voz, e depois da salva "SEJA BENDITA E LOUVADA A SAGRADA, PAIXAO, MORTE E RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO" à qual todos os romeiros respondem "SEJA PARA SEMPRE LOUVADO COM SUA E NOSSA MAE MARIA SANTISSIMA" pede que rezem uma ave-maria por intenções especiais ou particulares, recomendadas ou não.

Art.º 12 - Os Guias são os romeiros escolhidos pelo Mestre que conduzem o rancho através da viagem, seguindo os caminhos tradicionais desde o século XVI. Surgindo alguma dúvida quanto ao itinerário, olham para trás e logo o Mestre com o bordão lhes aponta o caminho.

CAP. IV

NORMAS A OBSERVAR PELOS ROMEIROS

Art.º 13 - Todos os romeiros devem:
a) Participar pelo menos em vinte horas de preparação, em dias e horas previamente anunciados;
b) Confessar-se na véspera da partida e procurar conservar o estado de graça durante a romaria para que possa comungar todos os dias. Se algum precisar de se confessar durante a semana, deve comunicá-lo ao Mestre a fim de lhe conseguir um sacerdote;
c) Participar da Santa Missa, se possível todos os dias;
d) Dar conhecimento ao Mestre da não observância das normas do presente Regulamento;
e) Obedecer pronta e absolutamente às ordens do Mestre e acatar as suas admoestações com humildade, evitando-se desculpas feitas pelos próprios ou por outrem;
f) Visitar, quanto possível, todas as igrejas e ermidas da Ilha, onde se venera a Santíssima Virgem, como sempre se fez desde o inicio destas piedosas romarias quaresmais;
g) Observar o silêncio, quanto possível, na caminhada e nos escampados havendo necessidade de trocar algumas palavras, apenas entre os componentes do rancho, fár-se-à sempre em voz baixa, de modo a que nas povoações unicamente se oiçam as súplicas dos fiéis que se recomendam às orações dos penitentes;
h) Rezar cantando a ave-maria, segundo a tonalidade própria e tradicional dos séculos, e todas as orações e saudações comuns, bem corno um Terço pelas intenções de quem os hospedar durante á noite;
i) Levar um lenço de lã e um xaile para agasalho, uma saca para a comida, um terço do Rosário e um bordão, como ê tradicional: O xaile deverá ser levado aberto pelos ombros e o lenço sobreposto por cima do xaile;
j) Colaborar, após a romaria, em actividades paroquiais, e participar na reunião mensal a fim de manter o espírito de penitência e oração, como já ê costume fazer-se nalgumas paróquias.

Art.º 14 - Os romeiros não podem:
a) Fumar, comer ou beber com o rancho em marcha;
b) Entrar em qualquer loja sem autorização do Mestre, apenas dada em casos de alta necessidade, sob pena de expulsão do rancho;
c) Fazer penitências especiais sem conhecimento do Mestre e sem a aprovação do Pároco;
d) Dar esmolas às igrejas ou aos pobres sem consultar o Mestre, o que no geral nunca será recusado, havendo recursos;
e) Abandonar o rancho sem licença do Mestre;
f) Visitar parentes ou amigos nas freguesias por onde passam;
g) Levar consigo bebidas alcoólicas, e quando oferecidas não as tomar em demasia;
h) Sair de noite depois de recolhidos.

CAP. V

>RECOMENDAÇOES E COSTUMES A OBSERVAR

Art.º 15 - Seria de louvar que todos os Párocos, antes da saída da romaria convocassem e apoiassem as reuniões, a fim de preparar convenientemente os romeiros rio espírito de oração
penitência.

Art.º 16 - Desde sempre a caridade, o amor de Deus e do próximo, tem animado os romeiros, ajudando-se mutuamente com espírito sobrenatural e dando todos generosamente o necessário para a sustentação de algum irmão pobre durante a peregrinação

Art.º 17 - Na passagem de romeiros, por vezes aparecem pobres pedindo auxílio material, e todos os irmãos, segundo as suas possibilidades, os socorrem, mostrando assim a caridade intensa que os anima, vendo Deus no irmão pobre.

Art.º 18 - Se, antes da partida ou durante a caminhada, acontecer que nalgum rancho se encontrem pessoas inimigas ou rivais, o Mestre, logo que tenha conhecimento, utilizará todos romeiros ao seu alcance para tentar pôr termo à desavença ou desentendimento, para que continue a paz e harmonia entre os irmãos.

§ único.- Se não for possível a reconciliação e se a presença dos desavindos for prejudicial à boa harmonização do rancho, o Mestre deverá dar ordem de expulsão

Art.º 19 - Nenhum irmão deixará de contribuir, conforme as suas posses, para as colectas feitas pelo Mestre, a fim de se mandar celebrar missas ou para qualquer outro fim necessário o rancho; cada um colocará a sua oferta no xaile estendido no chão, após alguma refeição ou momento mais oportuno.

CAP. VI

DETERMINAÇOES ESPECIAIS

Art.º 20 - Chegando o rancho a alguma igreja ou ermida onde se esteja realizando actos de culto, o Mestre, se tiver tempo e achar conveniente, depois da respectiva licença, ordena que todos os romeiros entrem no maior silêncio possível para não perturbara assembleia; Se não tiver tempo, fará as orações próprias em silêncio à porta do Templo e no final todos se retirem. Estando a igreja ou ermida livre, entram todos e dirige a oração ao Santíssimo Sacramento ou à Santíssima Virgem, mesmo que o Templo seja dedicado a outro Santo.

Art.º 21 - Quando se encontre alguma igreja ou ermida construída fora do roteiro tradicional, o rancho saúda-a de longe, se possível em local onde seja vista, e reza uma oração curta e simples em honra de Nossa Senhora.
Art.º 22 - Encontrando-se dois ranchos dentro do mesmo Templo, o Mestre do primeiro a chegar adverte o orador para que abrevie a oração, depois procura o Mestre do outro rancho e combinam os dois a forma de não se encontrarem mais durante a viagem, retardando um e acelerando o outro a marcha.
a) Se o encontro ocorrer fora do Templo, observasse-a idêntico procedimento; Todavia, o rancho que estiver mais adiantado, mantendo as alas, interrompe a marcha e o canto e aguarda, em silêncio, a passagem dos outros penitentes, cumprimentando cada um os da respectiva ala.
b) Se durante a passagem de um rancho passa outro, os penitentes levantam-se e oram em silêncio, acompanhando a oração dos que passam, sem se cumprimentarem nem trocarem impressões, retomando em seguida a refeição.
Art.º 23 - Durante o dia, dentro e fora das horas das refeições, o Mestre permitirá o descanso aos romeiros, todas as vezes que o julgue necessário, podendo eles nessa altura, fumar, falar e rir, mas sempre dentro da devida ordem, lembrando-se sempre de que são romeiros penitentes que procuram atrair sobre a Terra as bênçãos de Deus.

Art.º 24 - Ao anoitecer e após a recolha, termina o rancho a penitência do dia. Desde o princípio, são quase sempre os mesmos sítios para as refeições, descansos e pernoitas; por isso as populações aguardam a chegada dos romeiros. Chega dos ao local próprio e tradicional, o Mestre, dando por terminada a penitência naquele dia, sem mais cerimónia alguma, tomando o Crucifixo, divide os romeiros conforme a população vai pedindo, tendo d' preocupação de juntar um romeiro adiantado em anos e com prática desta peregrinação com um novo. Todos se despedem, beijando o Crucifixo e a mão do Mestre que é o último a recolher-se.

Art.º 25 - Na casa do benfeitor, o romeiro deve:
a) Saudar os habitantes, dizendo: " Seja Louvado Nosso Senhor Jesus Cristo", ao qual todos respondem " Seja Para. Sempre Louvado Com Sua E Nossa Mãe Maria Santíssima";
b) Aguardar que o mandem sentar, lhe ofereçam agua para os pés e a refeição. Enquanto espera por esta e durante a mesma, deve falar pouco e sempre dentro do espírito dum bom católico, dotado de fé e espírito de penitência, nunca murmurando mas antes pondo em relevo os aspectos mais positivos da viagem;
c) Antes de se recolher, despedir-se da família e agradecendo-lhe a hospitalidade cristã, entrega o Terço do Rosário que rezou pela sua intenção;
d) Evitar sair do quarto durante afoite e não utilizar outras instalações da moradia, com excepção da casa de banho, quando exista e seja indispensável.
e) Ao erguer-se fazer o menor barulho possível e, se houver alguém levantado, saudá-lo da forma do costume e a seguir, "òh irmão seja pelo amor de Deus e por alma dos ".
§ único.- Depois dirige-se para o local combinado, que costuma ser a porta da igreja. A medida que vão chegando cumprimentam o rancho dizendo: " Seja Louvado Nosso Senhor Jesus Crista" a que responder " Para Sempre Seja Louvado Com Sua e Nossa Mãe Maria Santíssima", beijando de seguida o Crucifixo e a mão do Mestre.

Art.º 26 - De madrugada, o Mestre mandará tocar a campainha pelas ruas da freguesia para despistar os romeiros, que devem juntar-se no local combinado na véspera.

Art.º 27 - Junto todo o rancho, o Mestre faz as orações da manhã e põem-se todos em marcha. Se faltar algum romeiro, o Mestre deixa outro antigo à sua espera que depois esforçar-se-ão para atingir o rancho, logo que seja possível. Nessa altura, o romeiro beija o Crucifixo e dirigindo-se ao Mestre beija-lhe a mão, justifica a falta e pede desculpa.

Art.º 28 - Desde o inicio destas romarias as famílias ao meio da semana vão ao encontro dos romeiros, para os reabastecerem com viveres para o resto da viagem. Nenhum romeiro porém, poderá saudar ou receber saudações, a não ser no lugar a isso destinado e só depois de o Mestre dar a devida licença. Após a refeição com as suas famílias, e terem recebido as provisões, ao toque da campainha, todos os romeiros formam em duas alas e, então o Mestre faz uma prática agradecendo às famílias o carinho manifestado e pedindo a Deus uma boa viagem para todos, entoa as orações e cânticos do oferecimento da refeição e finalmente o Mestre ou algum dos seus Ajudantes inicia o cântico 'do Terço, partindo todos com os olhos no chão, lembrando as prosperidade da família junto do Senhor.
§ único.- Se algum romeiro não tiver visita da família, devido à sim pobreza, o Mestre chama-o para junto de si e intima-o a comer sem cerimónia, vendo isto, os outros romeiros logo fazem ofertas associando-se neste acto de caridade.

Art.º 29 - O romeiro que, por motivo grave, a juízo do Mestre, não lhe seja possível incorporar-se no rancho no dia da partida, pode ir ao encontro do mesmo e tomar o seu lugar em qualquer paróquia, previamente combinada. Uma vez chegado, coloca-se no meio das duas alas, beija o Crucifixo e a mão de todos os irmãos e chegando junto do Mestre abraça-o, beija-lhe a mão e recebe ordens para se incorporar. Tudo isto se faz sem interromper a peregrinação.

Art.º 30 - Quando um romeiro tenha de abandonar o rancho por motivo grave, Comunica-o ao Mestre, e este manda parar o rancho e interrompe a ave-maria. O penitente apresenta as despedidas, abraçando a todos e recomenda-se as suas orações. Nestes casos, o romeiro continua vinculado ao rancho, sendo, para todos os efeitos, contado como tal.

Art.º 31 - Ao chegar o rancho de romeiros sua freguesia, todos conservam a mais rigorosa compostura e disciplina e, dirigindo-se para a igreja paroquial, haverá a ultima prece de acção de graças com a celebração da Santa Missa; segue-se o ultimo beija mão e abraço de despedida, e só então terão o lugar os cumprimentos às pessoas e amigos.
§ único.- Aquela celebração festiva deverá ser previamente preparada e anunciada de modo que dê ocasião a uma maior vivência cristã e seja um incentivo à prática destas romarias peia comunidade paroquial.

Art.º 32 - Todos os ranchos levarão uma imagem de Crista Crucificado que será conduzida à frente no meio das. duas alas. Por isso, por um piedoso costume, Jesus Maria e José, SAGRADA FAMILIA, são considerados como romeiros e contados como tais para efeito das orações pedidas pelos povos.

Art.º 33 - Na passagem dos romeiros pelas freguesias, costumam os povos perguntar pelo número de irmãos, que fazem parte da peregrinação, com o fim de pedirem orações orações segundo a sua intenção, ficando com a obrigação de rezarem tantas orações quantos forem os membros do rancho.

Art.º 34 - Dentro dos povoados, os' bordões serão levados pelo lado de dentro das alas e em posição horizontal. Nos escampados o rancho deverá manter-se formado para evitar distracções e para que todo o percurso seja efectuado em oração.

CAP. VII

PENALIDADES


Art.º 35 - Deverá ser expulso do rancho:
a) O romeiro que for encontrado em estado de embriagues;
b) O que transgredir as normas deste Regulamento e, depois de advertido caridosamente pelo Mestre, não se mostre arrependido e disposto a obedecer.
§ 1º Somente se procederá à expulsão de um romeiro em casos graves e depois de empregados todos os meios para o levar ao cumprimento do seu dever. Tendo de se chegar a este extremo, o Mestre, depois de ouvir os seus colaboradores, manda parar o rancho, expõe os motivos da expulsão e o quanto se fez para a evitar e. finalmente toma o romeiro impenitente e diz: irmão, em nome de Deus te expulso desta comunidade, que o Senhor seja contigo e sempre te proteja dito isto, acompanha-o à sua residência, e o rancho continua o seu cântico, apenas interrompido durante a expulsão.
§ 2º Não o podendo acompanhar, o Mestre escolherá um dos seus colaboradores para o substituir.

Art.º 36 - 0 presente Regulamento, depois de aprovado pelo Exmº. Prelado Diocesano, obriga a todos os romeiros e ás suas determinações somente poderão ser alteradas pela mesma autoridade Eclesiástica.

Ponta Delgada, 9 de Janeiro de 1989


D. AURELIO GRA.NADA ESCUDEIRO, POR GRAÇA DE DEUS E MEÇÊ DA SANTA SÉ APOSTÓLICA, BISPO DE ANGRA E ILHAS DOS AÇORES:

De há século, que na Quaresma se realizam na ilha de São Miguel as Romarias, que enchem as estradas e caminhos cio cânticos e orações, louvando a Deus e exaltando Maria Santíssima, cujas igrejas e ermidas são visitadas pelos romeiros .que durante oito dias jornadeiam em peregrinação de penitência.

Não obstante todas as vicissitudes do tempo, manteve-se este costume intacto na sua essência de oração e penitência, constituindo lição para muitos e estimulo à conversão e emende do vida para não poucos, ao mesmo tempo que aparece como forma de colaborar na reparação e na santificação das almas., acordando as pessoas e os povoe para a fé e o amor a Deus e para a lídima devoção a Nossa Senhora.

Nos tempos que vivemos, após o Concílio Ecuménico Vaticano II, surge mais exigente a necessidade de maior vida de oração e de centrar na Eucaristia toda a nossa vida, que também precisa ser alimentada pela Palavra de Deus cuidadosamente meditada, a partir da Bíblia, ao mesmo tempo que se impõe preparar sempre melhor, para bem os viver, os actos de louvor e serviço de Deus, como são as Romarias Quaresmais de São Miguel.

Assim, respeitando o espírito de oração e peniti3ricía, próprio destas romarias, pareceu necessário actualizar alguns pontos do seu Regulamento para o tornar sempre mais de acordo com o espírito conciliar. Desse trabalho se encarregou uma equipa de mestres romeiros com um sacerdote que há muito acompanha romeiros, havendo de dizer-se que chegou a bom termo em seu encargo.

Por tudo isso, tendo-me sido pedida a aprovação do novo Regulamento com suas adaptações,


HEI POR BEM:

a) Aprovar, em sua actual redacção, o Regulamento dos Romeiros de São Miguel, que consta de sete capítulos e trinta e seis artigos;

b) Abençoar e recomendar tão santa prática de pública oração e de penitência;

c) Exortar o Rev.mo Clero a estimular esta prática quaresmal e a prestar a melhor colaboração na preparação dos romeiros seus paroquianos, ensinando-os a rezar cantando e a manterem o que de tradicional seja bom e conforme ao espírito e doutrina da Igreja, e a celebrar-lhes e a outros romeiros, sempre que possível e preciso, a Eucaristia;

d) Encomendar aos Romeiros uma intenção especial pelo nosso Santo Padre, o Papa, pelo Bispo diocesano, seu clero, seminários e vocações de consagração e por outras intenções que venham a ser-lhes recomendadas.


Dado em Ponta Delgada, aos 13 dias do mês de Janeiro de 1989.